Bimba Uma história de dedicação e solidariedade ao Windsurf

Com cinco Olimpíadas no currículo, o maior atleta medalhista pan-americano do Brasil, com quatro ouros e uma prata, Ricardo Winicki, o Bimba, de 36 anos, foi oito vezes campeão sul-americano e 22 brasileiro. Subiu em seis pódios em campeonatos mundiais, com três primeiros e três segundos lugares. “Então valeu à pena acreditar nesse sonho”, é como Bimba define sua história de dedicação ao Windsurf.

E, foi em Armação dos Búzios, onde Bimba escolheu para se preparar aos campeonatos. Segundo ele, a decisão de ir morar no município foi, inicialmente, para fugir do trânsito e da água poluída da Baía de Guanabara da sua cidade natal, o Rio de Janeiro. Outras características de Búzios também chamaram sua atenção, como a perfeita variação climática. “Aqui há todos os tipos de condição de vento como forte, médio e fraco, além das ondulações do mar. Neste lugar consigo, em uma semana ou um mês, fazer um treinamento para me preparar bem a qualquer tipo de condição do mundo”, explica o atleta.

Mas, esta não foi a sua única motivação para se instalar no local. Apesar da rotina pesada de treinos, Bimba montou um projeto social, a Escola de Velas Bimba Windsurf, no Búzios Vela Clube, para atender crianças de baixa renda. Desde 2003, quando a ação foi criada, já passaram pelo programa mais de 50 jovens carentes, sendo dez deles com participações internacionais. Bimba lembra o início da atividade, quando um dos meninos que já velejava na cidade, mas com material bastante precário, expôs o sonho em ter uma prancha olímpica e treinar com ele. “Ele falou que me via ganhando títulos internacionais e despertou em mim o desejo em ajuda-lo. Apesar de estar sempre sozinho na batalha, realizei o sonho dele e o coloquei pra velejar. Isso chamou atenção de outros meninos e aí começou o projeto. Sempre que volto de uma viagem tem um aluno novo para analisar”, orgulha-se.

Com crescimento desta ação, Bimba decidiu, neste verão de 2017, dar uma pausa nos treinos e focar 100% do seu tempo na escolinha e, desta vez, visando não apenas o turista, mas também o morador de Búzios. Para participar, os interessados são selecionados por Bimba ou por um dos ex-integrantes do projeto e que, hoje, trabalha como apoio. “Analiso os atletas e vejo se têm condições de competir internacionalmente, sua disciplina, nota boa no colégio, educados em obedecer as ordens e, assim, entram no projeto e vou conciliando”.

A escola de velas, que também está aberta para turistas fazerem curso de Windsurf, está localizada na Rua Maurício Dutra, 303, em Manguinhos. Quem quiser ajudar, pode fazer aulas pagas. A verba é destinada em manter a escola e ajudar os professores, ex-alunos da ação e, hoje, aplicam aula de forma simples e informal. “Quanto mais dinheiro vai circulando, mais gente vai velejando, mais posso comprar equipamento e colocar gente dentro d’água. As pranchas são caríssimas e as pessoas podem ajudar com doações também”, completou Bimba, ao destacar que mais informações podem ser obtidas nas páginas Bimba Windsurf, no Faceebok e Instagram, e em www.buziosvelaclube.com.br. “Essas são as formas de ajudar, doando dinheiro, equipamento, vindo fazer aulas, velejando, trazendo alunos e divulgando a escola”, disse Bimba.

Uma trajetória campeã – Seu primeiro contato com o esporte foi, em 1982, quando tinha de dois para três anos de idade, ao acompanhar seu pai, que velejava em Santa Cruz de Cabrália, no sul da Bahia, e se apaixonou pela modalidade. “Desde que me dou por gente lembro de mim sentado na prancha e meu pai me levando para velejar com ele, a vida toda foi assim. Mas, só aos 11 anos, na Barra da Tijuca, no Rio de janeiro, conheci uma escola de Windsurf e comecei a velejar, em 1991, na Escola do Boy – Fernando Hermel”, contou Bimba.

O atleta recorda que, logo que começou a velejar, a fissura era tanta que todos que acompanhavam a dedicação daquele garoto achavam que, no futuro, seria um campeão. “Eu sempre fui super determinado, treinava todos os dias, apesar dos treinos serem de terça-feira a domingo, dava um jeito de conseguir a chave do clube na segunda-feira para treinar. E, com isso, começaram a colocar na minha cabeça que deveria participar da Olimpíada de 2000 e seria um dos melhores do mundo. Acreditei nesse sonho e coloquei isso na cabeça”, lembrou.

A Olimpíada Rio 2016 foi o último campeonato disputado, quando terminou em sétimo lugar e se tornou um dos únicos do mundo, no Windsurf, que conseguiu fazer quatro finais olímpicas seguidas. Foi quarto em Athenas, 2004, quinto em Pequim, 2008, e nono em Londres, 2012, e Bimba garante que ainda pretende disputar mais uma olimpíada. A última competição que participou, em nível nacional, foi o Brasileiro de Race Board, um evento comemorativo, quando alcançou o 23º título nacional. O próximo compromisso importante será, em fevereiro deste ano, na disputa do pré-olímpico, em Porto Alegre, para já começar a campanha para a Olimpíada de Tóquio.

 

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